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O mundo e suas trágicas histórias

O mundo e suas trágicas histórias

Vinte e seis mil homens, mulheres e crianças em busca de refúgio morreram afogadas no Mar Mediterrâneo, nos últimos dez anos. Tentavam chegar à Europa pelas mãos dos traficantes de pessoas, criminosos que se dedicam a explorar a quem quase nada lhe restou. A tragédia que vivem não é capaz de comover governos como o da Itália, de extrema-direita, que proibiu a prestação de socorro aos barcos miseráveis que se encontrarem à deriva em pleno mar e repletos de passageiros.

Em janeiro e fevereiro deste ano, afogaram-se trezentos refugiados em precárias embarcações. Existem cerca de 27 milhões de refugiados no mundo. Sobrevivem abandonados em moradias improvisadas, sem assistência e muito menos futuro. Não são apenas estatísticas a serem lidas superficialmente. São pessoas que possuíam um lar e foram obrigadas a partir para destinos desconhecidos.

A Argentina colocou no governo um palhaço reacionário depois de o vizinho Brasil ter se livrado por muito pouco de um charlatão boçal.

Os dados imprecisos do Anuário Brasileiro de Segurança Pública dizem que foram 6.500 as pessoas mortas pela polícia no ano de 2020, a maioria, como se sabe, negros e pobres.

A OTAN, os Estados Unidos e a Europa alimentam uma guerra na Ucrânia que já fez cerca de 15 mil mortos, pelas informações das fontes mais confiáveis. Sofisticados armamentos de grande poder de destruição são enviados diariamente para o teatro da guerra. Trava-se ali uma disputa geopolítica num conflito entre dois governos de direita, um deles patrocinado pela OTAN. E os regimes de direita são hoje uma ameaça em quase todos os países do mundo.

Entre os países da Europa, na Itália, Holanda, Polônia, Hungria, Finlândia, e Suécia, partidos de extrema-direita hoje lideram os governos. Na França, a candidata Marine Le Pen, do partido de extrema-direita Rassemblement National, tem ganhado mais votos em cada eleição disputada. Em Portugal, extremistas também têm crescido a cada eleição.

As guerras na África

A pobreza, a desigualdade social e a interferência estrangeira alimentam dez guerras ou grandes conflitos simultâneos no castigado território africano: Somália, Mali, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Sudão do Sul, Burundi, Nigéria, Etiópia, Moçambique, Angola. Conflitos armados com um impacto devastador na população civil que conduzem à morte, deslocamentos, fome, pobreza, instabilidade política e ao terrorismo.

Desde 2020, o Sahel, uma região que se estende do Senegal ao Chade, tem sido palco de golpes de estado que desestabilizaram as nascentes democracias. A insurgência jihadista tenta estabelecer um califado na região, as populações sofrem com a corrupção e os maus governos e o resultado é a multiplicação da pobreza e da desigualdade.

No Afeganistão, a pobreza alia-se à repressão exercida pelos talibãs, um grupo fundamentalista islâmico que se encontra no controle do país e impõe severas restrições às mulheres, proibidas de frequentar escolas, trabalhar fora de casa e são obrigadas a obedecer a um estrito código de vestimenta. Os talibãs, que expulsaram as tropas russas em 1989 e as tropas americanas em 2021, destruíram monumentos culturais, praticam violações de direitos humanos e execuções sumárias, tortura e repressão a minorias étnicas e religiosas. Cerca de cinco milhões de pessoas foram obrigadas a deixar as suas casas.

No Oriente Médio o conflito Israel-Palestina começou em 1948. As duas nações reivindicam a mesma terra e estima-se que mais de 200 mil pessoas tenham sido mortas. Mais de 700 mil palestinos foram forçados a abandonar as suas casas e é pouco provável que o conflito seja resolvido em futuro próximo.

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A violenta guerra civil na Síria ainda não terminou. Estima-se que mais de 600 mil pessoas tenham sido mortas no conflito incluindo civis, combatentes e crianças. Milhões de pessoas foram deslocadas de suas casas.

As ameaças do clima

As mudanças climáticas ameaçam a vida na Terra. A queima de petróleo, gás e carvão, chamados combustíveis fósseis, o desmatamento e a agricultura são responsáveis pelo aumento da temperatura média global e a ocorrência de eventos climáticos extremos. O aumento do nível do mar provoca o derretimento das geleiras e calotas polares ameaçando áreas costeiras ao redor do mundo. Secas, inundações, furacões e tempestades causam danos e destruição numa escala avassaladora e sem precedentes. A vida selvagem está sendo extinta e muitas espécies são forçadas a se deslocar em busca de novos habitats.

O mais dramático dos subprodutos deixados pelas mudanças climáticas é a fome que, em 2023, atinge 735 milhões de pessoas. Esse é o número informado pela FAO-Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Mas não são apenas as mudanças no clima do planeta as responsáveis pelas secas, inundações e ondas de calor. A pobreza é uma causa junto com os conflitos e guerras que destroem a agricultura, forçam o êxodo das pessoas e impedem o acesso aos alimentos. A fome é também a causa de desnutrição, retardo no crescimento e morte. Além de provocar violência, conflitos e instabilidade social.

Água

Recurso essencial para a vida, a água torna-se cada vez mais escassa e a disputa pela sua posse pode levar à guerra entre países. Empresas multinacionais já disputam a exploração comercial apropriando-se de um bem natural. Alguns governos lançam-se em aventuras espaciais em que a busca de água em outros planetas é um dos principais objetivos.

Aponta-se o aumento da população mundial, as mudanças climáticas e a poluição como as principais causas da crise da água. O efeito é devastador. Milhões de pessoas não têm acesso a água potável, o que leva a doenças e à morte. A falta d’água também afeta a agricultura e a produção de alimentos e contribui para a fome no mundo.

A desigualdade econômica e social é uma das principais misérias mundo afora. Poucos bilionários detêm a maior parte dos recursos e das riquezas e a grande maioria das populações sobrevive em condições precárias. O desemprego afeta milhões de trabalhadores com a consequente falta de renda, pobreza e exclusão social.

*Imagem em destaque: Soldados ugandenses na Missão da União Africana na Somália (AMISOM)/rawpixel.com

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