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Lula demite presidente da Petrobras, Jean Paul Prates

Lula demite presidente da Petrobras, Jean Paul Prates

No Le Monde: “Brasil: Lula demite o chefe da gigante petrolífera Petrobras”. O governo proporá ao conselho de administração que ele seja substituído por Magda Chambriard, após uma controvérsia sobre a distribuição de dividendos aos acionistas. Ao retornar ao poder, Lula pôs fim ao processo de privatização da Petrobras lançado por seu antecessor de extrema direita Jair Bolsonaro (2019-2022), sob o qual o grupo havia passado por sérias turbulências: quatro presidentes haviam se sucedido à frente da empresa, devido a violentos desentendimentos sobre a política de preços da Petrobras. O texto é da agência France Press.

O presidente da Petrobras demitiu-se do cargo, informou a empresa numa declaração nesta quarta-feira, após meses de tensões com o governo federal. A Petrobras optou por não pagar dividendos extraordinários aos seus acionistas no início deste ano, azedando as relações entre o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, e o presidente Lula. Lula havia defendido essa decisão, chamando o mercado de “dinossauro voraz”, depois que as ações despencaram após o anúncio dos dividendos. As ações da empresa caíram mais 7% após a saída de Prates, noticia como “breaking news” e com texto da Associated Press o Independent. A reportagem cita declaração de Sergio Moro: “Os mercados e os investidores já sabem que a mudança de comando na Petrobras representa mais um intervencionismo desastrado do governo (do Partido dos Trabalhadores) na economia”, disse o ex-ministro da Justiça do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro, nas redes sociais. Prates, ex-senador pelo Partido dos Trabalhadores, de esquerda, será substituído pela engenheira e ex-diretora da ANP, Magda Chambriard.

No Financial Times: Governo brasileiro destitui chefe da Petrobras após disputa sobre dividendos.

Lula decidiu demitir o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, em meio a uma acirrada luta interna no governo para mudar o rumo da empresa mais importante do Brasil, informa o argentino La Política Online. Prates entrou no bombardeio interno porque é um homem de Haddad que, de acordo com a ala dura do PT, responde à política de ajuste do ministro, e outro dos ministros que dispara impiedosamente contra Prates é o ministro da Energia, Alexander Silva, defendido pelo chefe da Casa Civil, Rui Costa, que está em desacordo com Haddad.

No La Nación, a decisão de demitir Prates já havia sido tomada há semanas.

Na Reuters a repercussão no mercado: “Em nossa visão, a saída de Prates é uma deterioração da governança da Petrobras e um risco de queda para o investimento”, disseram os analistas do Citi Gabriel Barra e Andres Cardona em uma nota aos clientes. “O novo CEO chega com a pressão de cumprir o plano de investimentos e acelerar a expansão do capex (despesa de capital), o que pode impactar negativamente o pagamento de dividendos da empresa.”

TRAGÉDIA NO RS

Enquanto as enchentes que devastaram o estado brasileiro do Rio Grande do Sul ainda não diminuíram, outro flagelo se espalhou pela região: a desinformação nas mídias sociais, que prejudicou os esforços desesperados para levar ajuda a centenas de milhares de pessoas necessitadas. Entre as postagens falsas que provocaram indignação: Que as agências oficiais não estão realizando resgates no estado mais ao sul do Brasil. Que a burocracia está impedindo doações de alimentos, água e roupas. Um boato persistente afirma que as autoridades estão ocultando centenas de cadáveres, disse Jairo Jorge, prefeito da cidade de Canoas, que foi duramente atingida. Jorge e outras autoridades afirmam que os agentes ocultos por trás das postagens estão explorando a crise para minar a confiança no governo. Reportagem da Associated Press publicada pelo jornal Independent. As falsidades são “orquestradas, com o objetivo de fazer com que as pessoas deixem de acreditar nos agentes públicos”, disse ele. “Sempre que acontece um desastre natural, há uma onda de solidariedade. Mas não dessa vez; há também uma onda de raiva causada pela desinformação.”

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O jornal colombiano El Tiempo trata das As causas das enchentes que atingiram o sul do Brasil. Bloqueio atmosférico: A situação começou no final de abril, quando uma configuração atmosférica complexa se formou sobre a região. Uma frente fria de origem antártica colidiu com uma onda de calor gerada por um anticiclone no centro do país, onde as temperaturas ultrapassaram os 30 graus Celsius. Essa colisão resultou em um “bloqueio atmosférico”, que manteve a frente fria estacionada sobre o Rio Grande do Sul, explica Carlos Nobre, cientista ambiental brasileiro. Indica várias outras causas.

O Tiempo também traz explicações para enchentes em vários países em extensa reportagem. Brasil, Indonésia, Afeganistão, Quênia… Diferentes partes do planeta estão sofrendo há dias com chuvas torrenciais e inundações que deixaram centenas de mortos e centenas de quilômetros de desabrigados e que, como explicaram especialistas em meio ambiente à agência Efe, são agravadas pelo mesmo fator: a mudança climática.

Meteorologistas e engenheiros da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) disseram que os níveis de água podem se estabilizar ou continuar subindo se chover novamente. Eles disseram que pode levar um mês até que a água recue abaixo dos níveis de inundação, com base em comparações históricas, segundo a Reuters.

As enchentes no sul do Brasil chegaram ao litoral argentino, afetando as províncias de Corrientes e Entre Rios, especialmente a cidade de Concordia, segundo o Ámbito.

O escritório do Acnur no Brasil informou nesta quarta-feira que está tentando restabelecer contato com cerca de 43.000 refugiados venezuelanos, haitianos e cubanos que vivem no sul do país, que vem sofrendo com graves inundações nas últimas duas semanas. De acordo com a Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), há 29.000 venezuelanos, 12.000 haitianos e 2.000 cubanos sob proteção humanitária vivendo no estado do Rio Grande do Sul, o mais afetado pelo desastre climático no sul do Brasil, informa o equatoriano El Mercúrio.

Nesta quarta-feira, a Bolívia aprovou um decreto supremo autorizando o envio de ajuda humanitária ao Brasil, onde fortes chuvas e enchentes causaram graves danos materiais, informa a Telesur.

MINAS GERAIS

O Financial Times traz reportagem especial sobre Minas Gerais: “Minas, o estado-bandeira do Brasil. Governador Romeu Zema: ambições presidenciais? As preocupações e a vida boa da capital do estado, Belo Horizonte. O desastre da barragem de Brumadinho em 2019 ainda reverbera. A promessa do lítio; o potencial do nióbio; a situação dos fertilizantes”. Veja os títulos dos textos: “Como Minas vai, assim vai o Brasil. O estado de Minas Gerais é um microcosmo das vastas disparidades políticas, econômicas e sociais do país”. “O governador que é um azarão para a próxima corrida presidencial do Brasil. Romeu Zema, empresário mineiro que se tornou político, minimiza a possibilidade de candidatura em 2026, mas analistas não estão convencidos”, entre outros.

Na imagem, Jean Paul Prates e sua substituta, Magda Chambriard na Petrobras / Reprodução

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