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Editor francês pregava boicote contra Israel

Editor francês pregava boicote contra Israel

Entrevista que fiz em 2017 com o editor e escritor Éric Hazan, falecido em Paris em 6 de junho deste ano. De origem judaica e médico de formação, Hazan militava pela autodeterminação do povo palestino e defendia o movimento BDS de Boicote, Desinvestimento e Sanção a Israel. 

Éric Hazan é um subversivo, um concentrado do intelectual engajado sartreano. Comunista e anti-colonialista, sua trincheira é uma editora. 

Herdeiro da editora Hazan, criada pelo pai e depois vendida, o médico, escritor, editor e tradutor fundou sua própria editora « La Fabrique », uma referência na França para livros subversivos, que lutam contra o pensamento único do neoliberalismo galopante que se instalou no mundo. 

De origem judaica, o jovem Hazan participou da Frente de Libertação Nacional (FLN) durante a guerra da Argélia. Como cirurgião vascular foi membro fundador da Associação Médica Franco-Palestina e membro do comitê fundador do Tribunal Russell sobre a Palestina, que iniciou seus trabalhos em 2009 com o claro objetivo de pôr fim à impunidade do Estado de Israel e encontrar uma paz durável para o conflito Israel-Palestina. 

Em seus artigos políticos, reunidos em livro recém-lançado, « Á travers les lignes », Éric Hazan toma posições sem ambiguidades seja na política francesa e internacional seja na crítica ao mercantilismo na arte contemporânea.  

Nesta entrevista exclusiva, ele analisa o atual momento político francês, fala do Brasil e do BDS (Boycott, Desinvestissement, Sanctions), o movimento mundial que combate o apartheid em Israel pelo boicote a produtos israelenses, mas sobretudo pelo boicote a qualquer cooperação acadêmica ou científica com o governo, que ele qualifica de « fascizante ».

Sobre a falta de condenação do golpe no Brasil pelo governo francês ele diz:

« Os interesses franceses podem ter tido um papel nessa reação passiva. Mas será que Hollande e seu ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, gostavam realmente do governo de esquerda derrubado? »

O que o novo presidente Emmanuel Macron representa ? 

Eric Hazan : Ele representa uma camada da população muito particular, a burguesia tecnocrática, pragmática, inteligente que, ao mesmo tempo, despreza o povo e tem também uma espécie de desprezo irônico em relação à burguesia da direita tradicional. Ele representa uma camada importante de pessoas cada vez mais poderosas. Essas pessoas compreenderam que, no fundo, para manter o poder e o dinheiro a posição de direita clássica tinha que mudar.

Eles fazem mais concessões ao social ? 

EH : Muito pouco. No discurso, sim, muitas concessões, mas na realidade, nenhuma. Ao contrário. São pessoas que compreenderam  como devem fazer hoje para transformar um país em uma « empresa que funciona ».

Thomas Piketty tinha razão quando escreveu que « Macron é um banqueiro que vai governar para os banqueiros » ?   

EH : Sim, ele foi durante muito tempo banqueiro, foi onde ele aprendeu o que é o capitalismo. Mas é redutor dizer que ele trabalha para os banqueiros. Ele trabalha para uma camada muito mais larga, todos os que gostariam de transformar este país em uma « start-up », em uma empresa. 

Suas posições e seus textos sobre o conflito Israel-Palestina levaram-no a escrever verdades que incomodam os sionistas. Por que a ocupação dos Territórios Palestinos persiste há 50 anos e o que restou do sonho de um Estado Palestino ?

E.H. : Penso que é preciso parar de considerar que o Estado Palestino é um verdadeiro objetivo. Isso é um engodo. Pode-se fazer um falso Estado Palestino, isso não é complicado. Aliás, ele praticamente existe, um falso Estado que não é senhor de suas fronteiras, não controla sua economia, não tem acesso ao mar, não tem continuidade territorial, não tem meios de se defender. Um Estado assim pode-se dizer que já existe. A Palestina foi reconhecida na ONU como Estado convidado, mais ou menos nesses termos. E todos os que não conhecem a questão julgaram que era uma vitória. É uma piada. Enquanto disserem que existe uma Autoridade Palestina e que essa Autoridade trabalha pela criação de um Estado Palestino não se avançará nem um centímetro. Mas há muita gente que tem interesse em que isso não avance. Quase todo mundo tem interesse a manter o status quo.

Quem? Os Estados Unidos, a Europa, o Oriente Médio, os países árabes?

E.H. : Sim, todos eles. Os Estados árabes ditatoriais, corruptos, dizem a suas populações : « Nós lutamos por um Estado Palestino ». Mas todo mundo tem interesse em que as coisas não mudem, ou melhor, em que a judaização da Palestina histórica continue todos os dias. Todo mundo tem interesse.

A Europa fecha os olhos…

E.H. : Claro. Eles dizem, « nós incentivamos a volta à mesa de negociações ». Mas nunca houve negociação, jamais, desde o início. Houve « diktats ». Para negociar, é preciso que haja qualquer coisa que se assemelhe vagamente a uma igualdade de forças. Se as forças são totalmente desiguais e que além disso a potência que serve de árbitro, os Estados Unidos, está abertamente do lado do mais forte, não há negociação. Há « diktats » que se aceita ou se recusa. Quando por acaso se recusa um « diktat » como fez Arafat em 2000, todo mundo diz, « Viram, ele recusou as ofertas generosas ». Essas « ofertas generosas » nunca existiram ! Nunca houve oferta generosa de Ehoud Barak. Mas eles disseram : « O que vocês querem, com os árabes não se pode fazer nada, fizemos as ofertas mais generosas e eles recusaram ».

Como sair dessa armadilha ?

E.H. : É preciso parar de apresentar o Estado Palestino como um objetivo ideal. Não é um objetivo.

Por quê ?

E.H. : Será que ele foi algum dia um objetivo ? Talvez, durante um momento…

No momento da partilha da Palestina sob mandato britânico, o Estado Palestino fosse um objetivo, não ?

E.H. :  Era uma partilha na qual na Palestina supostamente judia havia metade de árabes e na Palestina supostamente árabe havia judeus. Mas aquilo é um só país. Basta pegar um carro e ir direto numa direção. Compreende-se que é um só país., geograficamente, historicamente, humanamente. Há uma unidade nesse país. Se se tenta fragmentá-lo, um pedaço para fazer um triângulo aqui, tira-se gente de lá para pôr acolá. Não, não, não. Não é possível. E tudo aquilo é minúsculo, do tamanho de uma pequena região francesa. É minúsculo. Querem dividir em dois esse território minúsculo onde as coisas são entrelaçadas há anos, séculos. É simplesmente impossível.

Para onde vai Israel ? No livro « Como foi inventado o povo judeu », o historiador Shlomo Sand desconstrói o mito que diz que a diáspora nasceu da expulsão dos hebreus da Palestina e não de conversões sucessivas na África do Norte, na Europa do Sul e no Oriente Próximo. Isso faz desmoronar os fundamentos do pensamento sionista que afirma que os judeus são descendentes do reino de Davi e não os herdeiros de guerreiros bérberes ou de cavaleiros kazares. Shlomo Sand diz que há pesquisadores em Israel que procuram o gene judeu. O que o senhor pensa disso ?

E.H. : Acho muito bom esse livro. Nunca acreditei que existisse um povo judeu. Mas no livro ele demonstra de uma forma muito interessante. A ideia de base é verdadeira. Não há povo judeu, há uma cultura, uma cozinha.

E como base há uma religião revelada. Shlomo Sand diz isso no seu livro « Como deixei de ser judeu » (Comment j’ai cessé d’être juif), ele diz que um judeu laico não existe. Voltemos a Arafat. Por que o senhor concorda com Edward Saïd que disse que « Arafat era mais próximo de Petain que de Mandela » ?

E.H. : Logo antes dos acordos de Oslo (1993-1994), houve a Conferência de Madri (1991) para onde foram convocados muitos representantes da sociedade árabe israelense e palestina. Havia encontros informais com responsáveis israelenses. Arafat viu o perigo que isso representava para a autoridade que não se chamava ainda Autoridade Palestina. Mas ele viu ameaça a ele, à sua instituição. E foi por isso que aceitou assinar rapidamente os acordos de Oslo que são a origem do desastre atual. Mas muitas pessoas acreditaram nesses acordos. Edward Saïd não acreditou, pediu demissão do Conselho Nacional Palestino do qual fazia parte e que era uma espécie de instância semi-representativa. Depois da assinatura dos acordos de Oslo, Arafat colaborou com o Estado de Israel…

   Por isso ele foi mais um Pétain que um Mandela ? 

E.H. : Sim, Mandela estava na prisão no mesmo estágio das coisas… Mas o fim de Arafat fez muito por sua imagem histórica. Ele também estava quase preso no seu refúgio em Ramallah. Era um fim triste e, finalmente, ele foi assassinado.   

O senhor acredita na tese do assassinato ?

E.H. : Sim. Como médico, tenho certeza. O diagnóstico dos médicos franceses que o trataram era « coagulação intravascular disseminada ». Ora, isso não é um diagnóstico.  Constata-se isso quando se morre de uma picada mortal de serpente. Fratura do antebraço é um diagnóstico. Câncer do pâncreas é um diagnóstico. « Coagulação intravascular disseminada » não é um diagnóstico, é uma perturbação e ela é consequência dos envenenamentos do tipo veneno de serpente. Penso que ele foi envenenado.

Por quem ?

E.H. : Difícil saber mas provavelmente por uma pessoa próxima dele a soldo dos israelenses. A imagem do velho líder prisioneiro na sua « moukata » era muito incômodo aos olhos da opinião pública internacional.

Yitzhak Rabin, que a posteridade descreve como um homem de esquerda, mandava quebrar as mãos dos palestinos que jogavam pedras para se defender. A esquerda israelense que defende a criação de um Estado Palestino é hoje inaudível. Como o senhor vê o futuro do Estado de Israel que marginaliza a população árabe israelense, que representa quase um quarto da população do país? Pode-se falar de apartheid? Para onde vai Israel?

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E.H. : Claro que se pode falar de apartheid, ele é flagrante, evidente. Quando alguns juristas sul-africanos visitaram Israel alguém perguntou se o que viram lhes lembrava o apartheid na África do Sul. Eles responderam : « Sim, mas o governo sul-africano de então nunca enviou aviões para bombardear sua população ». No ponto em que estamos, a saída só pode vir do exterior do país. Creio que mergulhados num processo fascizante eles não podem sair sozinhos. É preciso que num determinado momento os inconvenientes dessa política pesem dramaticamente mais que as vantagens. E para chegar a isso a melhor arma é o boicote. Mas não apenas o boicote de tangerinas e abacates.

Que boicote pode ser eficaz ? 

E.H. : O boicote intelectual, acadêmico, universitário. Para eles, esse boicote é extremamente grave. Israel pretende tirar toda sua legitimidade da inteligência, da criatividade. Se a gente diz, « sinto muito mas não quero », as coisas mudam. Publicamos um livro sobre o boicote intelectual de Israel, escrito por Eyal Sivan e Armelle Laborie, « Un boycott légitime ». O livro mostra como eles têm medo desse boicote e os milhares de dólares que gastam para tentar barrar o boicote intelectual. O boicote das frutas vindas de Israel não tem peso econômico, o comércio externo deles é forte, exportam armas ao mundo inteiro.

Até mesmo ao Brasil….

E.H. : O boicote intelectual e acadêmico pesa, eles o temem. Este boicote não diz respeito a pessoas. Não se boicota um cantor, um escritor. Boicota-se apenas se a atividade é sustentada, apoiada e apresentada oficialmente pelo Estado de Israel. 

Esse boicote é eficaz ?

E.H. : Sim, claro. No mundo inteiro, mesmo nos Estados Unidos ele é feito. Os sindicatos britânicos tomaram posição pelo boicote de Israel, muitas universidades americanas, muitos bancos americanos. A França é o pior país, provavelmente com a Alemanha. Aqui é muito difícil fazer o boicote avançar. 

Por quê ?

E.H. : Porque as forças que defendem cegamente o Estado de Israel são muito poderosas na França. Elas estão muito próximas do poder. 

Em que país da Europa o boicote é mais ativo ?

E.H. : Nos países escandinavos ele é extremamente importante. Devemos lembrar que a África do Sul capitulou por causa do boicote.

No livro « Comprendre l’Islam politique », François Burgat nos leva a um mergulho na história colonial do Ocidente que quis esmagar a cultura dos vencidos. Ele pensa que a radicalização sectária não é o fator que desencadeia a violência política. O Estado Islâmico é a consequência do colonialismo ? 

E.H. : Se o cretino do George Bush não tivesse invadido o Iraque a situação do Oriente Médio e do Oriente Próximo não seria a mesma. Ele fez tudo mudar. Claro que Saddam Hussein não era um democrata, Kadafi também não. Mas eles eliminaram Saddam e veio o caos. Eliminaram Kadafi e veio o caos. Não se pode eliminar um líder, mesmo detestável, com tanques e bombardeiros e pensar que tudo está resolvido. Nesse « affaire » Iraque-Síria não se trata nem mais de colonialismo mas da profunda burrice de Bush.

Em suas crônicas políticas permeadas de ironia, humor e num tom sempre justo, o senhor não poupa Jeff Koons, entre outros. O senhor diz que com « sua experiência de ex-operador de matérias primas de Wall Street » ele convence « ricos amadores entre os quais Bernard Madoff, que seus coelhos infláveis e seus porcos de açúcar representam o que há de mais vanguardista ». O senhor é um crítico severo da arte contemporânea ?

EH : Não sou dos que detestam a arte contemporânea. Mas Jeff Koons é uma piada que funciona de maneira incrível, é Jeff Koons em Versailles, Jeff Koons no Louvre, Jeff Koons o artista mais caro do mundo… Mas ele não é uma exceção, há outros como o inglês Damien Hirst. Felizmente, a arte contemporânea não se limita a esses personagens. Mas isso mostra também como ela se tornou um grande objeto de especulação financeira. Grandes « marchands » de arte – antigamente a gente dizia « marchands de tableaux » – enriqueceram com esse comércio, desde o século XVIII. Mas eram verdadeiros « connaisseurs », penso em Vollard e outros. Hoje, esse tipo de pessoa não existe mais. As grandes galerias são administradas como organizações financeiras e disso brota Jeff Koons.  

O senhor diz que foi graças a colegas comunistas que pôde sair do mundo burguês normal. O senhor é ou foi comunista  Por que o comunismo soviético deixou esse gosto amargo de ilusão perdida em todos os que pensam que outro mundo é possível e que a expressão de Margaret Thatcher « There Is No Alternative-TINA » é falsa ? 

EH : Fui comunista até 1956, o ano de Budapeste. Mas Budapeste eu engoli com dificuldade. A gente dizia « OK, foi uma contra-revolução ». O que não engoli foi a posição do Partido Comunista Francês no momento crucial da guerra da Argélia, em 1956 também. Naquele ano, os comunistas votaram pelos plenos poderes do representante francês na Argélia e pelo envio do contingente de recrutas. Enquanto eram tropas do Exército de métier era uma coisa, enviar toda a juventude para a guerra da Argélia era outra. E os comunistas votaram a favor. Tenho amigos que faziam parte, como eu, de redes de ajuda à Frente de Libertação Nacional argelina, na França. Uma dessas organizações caiu e nela havia uns camaradas do Partido Comunista. Eles faziam parte dessas organizações, em desacordo com a diretiva do Partido. Ora, não apenas o Partido não os defendeu mas ainda os excluiu. A historia nos ensina que não nos arriscamos muito mas na época não sabíamos o que podia nos acontecer. Lembro-me que o motivo oficial da acusação não era « inteligência com o inimigo » porque o conflito não era reconhecido como uma guerra, mas aquilo podia levar a graves consequências, que felizmente não houve. Mas excluir pessoas presas era uma infâmia e por isso me afastei do Partido Comunista. Os comunistas franceses tiveram uma atitude claramente anticolonialista na guerra do Rif, em 1921, ou no combate do secretário-geral das juventudes comunistas, Jacques Doriot. Os deputados comunistas foram contra a guerra da Indochina, mas depois foi o que já mencionei. A descida ao inferno do Partido Comunista Francês, que passou de 25% aos atuais 2% a 3% de votos teve três causas. A primeira foi a guerra da Argélia, a segunda foi a chegada de De Gaulle ao poder no golpe militar de 1958, quando os comunistas não tiveram coragem de declarar greve geral, uma formidável maneira de barrar o golpe. Eles nem tentaram, apenas gritaram « o fascismo não passará ». A terceira foi Maio de 68. Naquele momento, a conivência dos comunistas com o poder ficou clara para quem sabia ver. 

O senhor se afastou mas se considera sempre um marxista ? Como o senhor se define ?

E.H. : Penso que há coisas boas, nesses últimos anos muitas coisas boas aconteceram. Hoje pode-se dizer « Sou comunista » sem ser obrigado a dizer « Sim, mas não sou comunista como… »

Pode-se, então, reivindicar uma afinidade com as ideias do comunismo, como faz claramente o filósofo Alain Badiou ?

E.H. : Sim, pode-se dizer « sou comunista » sem ser obrigado a se desculpar, explicar durante meia hora que não se é Brejeneviano. Mas isso é recente.

Por que os grandes jornais franceses de esquerda cobrem tão mal o que se passa no Brasil onde uma extrema-direita neoliberal tomou o poder num golpe de Estado dissimulado em impeachment e apoiado pela imprensa oligárquica?  

E.H. : Concordo que é muito mal coberto. Para que seja bem coberto é preciso que o jornal tenha um verdadeiro correspondente e creio que os jornais são pobres demais para isso.

Le Monde e Libération têm correspondentes no Brasil… 

E.H. : Atualmente, é preciso ter olho crítico para entender o que se passa, procurar se informa rem outras mídias, francesas ou não.

Logo depois da tomada do poder pela direita mais corrupta próxima dos fundamentalistas evangélicos, a Total e outras multinacionais do petróleo já tinham recebido a parte do bolo das jazidas descobertas durante o governo Lula. O novo governo instalado no Brasil privatiza agora empresas estratégicas, vende a Amazônia em pedaços, programa exercícios militares conjuntos com os Estados Unidos, autoriza bases militares na nossa fronteira com a Argentina mas isso não parece interessar à mídia francesa. Por quê ?

E.H. : Acho que é porque eles não fazem bom jornalismo e porque são politicamente mais à direita. 

Por que o golpe de Estado no Brasil não foi condenado pelo Quai d’Orsay durante o governo Hollande ?

E.H. : Os interesses franceses podem ter tido um papel nessa reação passiva. Mas será que Hollande e seu ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, gostavam realmente do governo de esquerda derrubado?

Na imagem, o editor Éric Hazan, que morreu em 6 de junho, em foto de 23 de outubro de 2019 / Reprodução

A entrevista original foi publicada pela Carta Capital.

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