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Calor recorde e incêndios castigam o hemisfério norte

Calor recorde e incêndios castigam o hemisfério norte

Fenômenos climáticos extremos causam danos à saúde humana e ao meio ambiente, evidenciando a urgência de reduzir as emissões de gases de efeito estufa

Por Correspondente IPS em Genebra

Ondas de calor e incêndios florestais, juntamente com chuvas incomuns e inundações, estão marcando a vida no hemisfério norte neste verão boreal, causando grandes danos à saúde das pessoas e ao meio ambiente, destacou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) no final deste mês de julho.

Petteri Taalas, Secretário-Geral da OMM, disse que “os fenômenos climáticos extremos, cada vez mais frequentes em um clima cada vez mais quente, estão tendo impactos significativos na saúde humana, nos ecossistemas, na economia, na agricultura, na energia e no abastecimento de água”.

A China estabeleceu um novo recorde nacional diário de temperatura, e os recordes da superfície do mar foram quebrados, com fortes ondas de calor no Mediterrâneo e na costa do estado da Flórida, sudeste dos Estados Unidos.

A estação meteorológica de Sanbao, na cidade de Turpan, na província chinesa de Xinjiang, noroeste da China, registrou uma temperatura de 52,2 graus Celsius em 16 de julho, estabelecendo um novo recorde nacional.

Incêndios florestais causaram devastação e dezenas de vítimas, e obrigaram a evacuação de milhares de pessoas em algumas áreas do Mediterrâneo, como Argélia, Grécia, Itália e Espanha.

De acordo com dados do Serviço Europeu de Monitoramento Atmosférico Copernicus, as emissões dos incêndios florestais no Mediterrâneo Oriental foram as mais altas para este período na Grécia nos últimos 21 anos.

Os incêndios forçaram a evacuação de centenas de moradores e turistas nas ilhas gregas de Rodes, Evia e Corfu desde 17 de julho. As emissões desses incêndios florestais atingiram níveis recordes, com um total estimado de um megatonelada de emissões de carbono entre 1º de julho e 25 de julho.

No Canadá, a pior temporada de incêndios florestais da história tem afetado a qualidade do ar para milhões de pessoas na América do Norte, com fumaça e cinzas ultrapassando a fronteira e afetando os Estados Unidos.

Um relatório canadense registrou 650 incêndios florestais fora de controle em 24 de julho. As chamas consumiram 11 milhões de hectares – em comparação com a média anual anterior de 800.000 hectares para a temporada de verão – e forçaram a evacuação de mais de 120 mil pessoas.

França, Grécia, Itália, Espanha, Argélia e Tunísia relataram novos recordes de temperatura máxima diurna e noturna em suas estações de monitoramento.

Por exemplo, Figueres – na Catalunha, Espanha – registrou um novo recorde de temperatura de 45,4 graus Celsius, a máxima histórica. Uma estação na ilha italiana da Sardenha registrou 48,2 graus Celsius em 24 de julho.

Na Argélia e na Tunísia, as temperaturas máximas mais altas registraram 48,7 e 49 graus Celsius, respectivamente.

Em Phoenix, capital do estado do Arizona, no sudoeste dos Estados Unidos, foram registradas temperaturas acima de 110 graus Fahrenheit (43,3 graus Celsius) por 31 dias, e as ondas de calor têm castigado muitas outras áreas do país.

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De acordo com o arquivo de condições meteorológicas e climáticas extremas da OMM, a temperatura mais alta já registrada foi em Furnace Creek, Death Valley (Vale da Morte), Califórnia, nos Estados Unidos, com 56,7 graus Celsius, em 10 de julho de 1913.

Sem as mudanças climáticas causadas pelo homem – as enormes emissões de gases de efeito estufa que aquecem a atmosfera – os novos eventos climáticos teriam sido extremamente raros, de acordo com estudos realizados pela OMM.

Na China, teria sido um evento a cada 250 anos, enquanto o calor máximo como o de julho de 2023 teria sido praticamente impossível de ocorrer nas regiões dos Estados Unidos, México e sul da Europa se os seres humanos não tivessem aquecido o planeta queimando combustíveis fósseis, indicam os estudos.

A OMM indicou que são esperadas ondas de calor marítimas acima de 30 graus Celsius no Mediterrâneo, que, juntamente com as costas da Flórida (EUA), ultrapassaram os 38 graus Celsius, superiores ao de um banho quente.

Os impactos das ondas de calor marítimas incluem a migração e extinção de espécies, além da chegada de espécies invasoras com consequências para a pesca e a aquicultura.

O relatório da OMM também destaca as fortes chuvas e inundações que causaram graves danos e perdas de vidas em várias partes do mundo.

Quando chuvas repentinas e inundações atingiram a Coreia do Sul, 40 pessoas morreram em um único dia, em 14 de julho. Inundações no noroeste da China mataram 15 pessoas. No norte da Índia, casas, estradas e pontes desabaram, matando dezenas de pessoas.

As chuvas também têm castigado o Japão, com recordes de inundações diárias, e o nordeste dos Estados Unidos.

“À medida que o planeta se aquece, espera-se que vejamos chuvas cada vez mais intensas, frequentes e graves, o que também resultará em inundações mais severas”, disse Stefan Uhlenbrook, diretor de hidrologia, água e criosfera da OMM.

Para Taalas, a situação simplesmente “destaca a urgência cada vez maior de reduzir as emissões de gases de efeito estufa o mais rápido e profundamente possível”.

O finlandês Taalas, que atua como Secretário-Geral da OMM desde 2016, passará o cargo no próximo ano para a argentina Celeste Saulo, a primeira mulher a dirigir a organização sediada em Genebra.

*Imagem em destaque: Phoenix, capital do estado do Arizona, sudoeste dos Estados Unidos, completou em julho 31 dias consecutivos de temperaturas superiores a 43 graus Celsius. Em todo o hemisfério norte o calor, os incêndios florestais e as inundações, impulsionados pelas mudanças climáticas causadas pelo homem, estão causando estragos cada vez maiores (Kevin Ellis/Noaa).

**Publicado originalmente em IPS – Inter Press Service | Tradução de Marcos Diniz

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