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Operação da PF contra filho de Bolsonaro é destaque internacional

Operação da PF contra filho de Bolsonaro é destaque internacional

Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, foi alvo de busca e apreensão nesta segunda-feira em nova operação da Polícia Federal para avançar nas investigações sobre a “Abin Paralela” durante o governo de Bolsonaro. A operação foi fartamente noticiada por jornais, agências e sites estrangeiros, tanto europeus quanto latinos. Já o Financial Times dedica ampla reportagem a Sergio Moro, que caiu em desgraça, segundo o jornal britânico.

A Polícia Federal fez buscas na segunda-feira em propriedades ligadas a Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, como parte de uma investigação sobre suspeita de espionagem ilegal de adversários políticos durante o mandato de seu pai. Carlos Bolsonaro, vereador da cidade do Rio de Janeiro, já estava enfrentando uma investigação do Supremo Tribunal Federal por supostamente administrar uma fábrica de notícias falsas de dentro do palácio presidencial, informa a agência Reuters. Ele já havia negado qualquer irregularidade e não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a operação policial de segunda-feira. A busca em suas propriedades marca uma forte escalada na investigação de espionagem em rápida evolução, atingindo o círculo íntimo de Bolsonaro. O ex-presidente, inelegível até 2030 por sua conduta durante sua corrida malsucedida para a reeleição em 2022, enfrenta várias investigações legais que ainda podem levá-lo à prisão.

A BBC lembra que Carlos Bolsonaro frequentemente atacava os críticos de seu pai nas mídias sociais. No passado, ele foi acusado de espalhar notícias falsas, o que ele nega. Durante a presidência de seu pai, Carlos Bolsonaro muitas vezes atuou como porta-voz não oficial de Bolsonaro, atacando inimigos do presidente nas mídias sociais.

“No Brasil, um filho de Bolsonaro é alvo de investigação por suposta espionagem política”, no título do britânico Independent sobre o caso, reproduzindo texto da Associated Press. A reportagem informa que comunicado da polícia informa que realizou nove buscas nesta segunda-feira como parte de uma investigação mais ampla sobre a agência de inteligência do país e a suposta espionagem de oponentes políticos durante o mandato de Bolsonaro, que terminou em dezembro de 2022. Na noite de domingo, Jair Bolsonaro realizou uma transmissão ao vivo de duas horas e meia nas mídias sociais, juntamente com três de seus filhos, incluindo Carlos. No vídeo, os Bolsonaros defenderam o ex-diretor da Abin Ramagem e criticaram a investigação, com o ex-presidente chamando a ideia de uma unidade de inteligência paralela de “fantasiosa”.

No argentino La Nación, as autoridades brasileiras suspeitam que Carlos Bolsonaro tenha sido um dos destinatários das informações obtidas ilegalmente pela Abin. Informa ainda que a operação desta segunda-feira, que é a continuação de uma investigação iniciada na quinta-feira passada, busca “avançar sobre o núcleo político” dessa organização ilegal, “identificando os principais destinatários e beneficiários das informações produzidas ilegalmente pela Abin por meio de ações clandestinas”. Esse caso, que está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal, também tem como alvo o deputado federal Alexandre Ramagem, um importante aliado de Bolsonaro, que foi chefe da Abin na administração do ex-chefe de Estado.

“Espionagem ilegal no Brasil: casa e escritório de um dos filhos de Jair Bolsonaro são invadidos”, no título do argentino Clarín, que reproduziu nota da agência espanhola EFE. E complementa: o vereador do Rio Carlos Bolsonaro está sendo investigado por espionagem ilegal durante a campanha presidencial de seu pai. Investigam uma rede ilegal que inclui membros de agências de inteligência e da polícia federal.

O site argentino La Política Online ironiza: A família Bolsonaro está mais uma vez no meio de uma investigação delicada. Entre as funções de Carlos Bolsonaro estava a estratégia de rede social e comunicação que lhe rendeu uma investigação do Supremo Tribunal Federal para o que foi chamado de “Gabinete do Ódio”, outra estrutura paralela a partir da qual uma máquina de disseminação de notícias falsas foi construída e operada ao lado do gabinete do presidente em Brasília.

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“Polícia brasileira faz busca na casa do filho de Bolsonaro por espionagem contra opositores”, título do uruguaio El Observador.

Sobre o caso, o colombiano El Tiempo destaca que os agentes buscam nesta segunda-feira “avançar sobre o núcleo político” dessa organização ilegal, “identificando os principais destinatários e beneficiários das informações produzidas ilegalmente pela Abin por meio de ações clandestinas”, segundo nota da corporação. Texto da EFE.

Durante uma transmissão ao vivo nas mídias sociais com seus filhos Carlos, Flavio e Eduardo, o ex-presidentes disse no domingo que as informações dos serviços oficiais de inteligência não chegaram até ele, informa a cubana Prensa Latina.

SERGIO MORO EM DESGRAÇA

O britânico Financial Times traz reportagem sobre como Sergio Moro e a Lava Jato, que, segundo o texto, caíram em desgraça. Afirma que Moro já foi uma das figuras públicas mais populares do Brasil. Como rosto de uma repressão à corrupção pan-latino-americana, o ex-juiz era reverenciado pela direita do país por confrontar um sistema político venal, assolado por uma cultura de impunidade. Porém, desde o auge da investigação, há mais de seis anos, a estrela de Moro caiu vertiginosamente, sua posição foi prejudicada pela mudança do cenário político, por revelações de má conduta e por uma série de decisões mal avaliadas. O homem que já foi retratado em comícios de direita como um super-homem de peito erguido e visto como um candidato à presidência agora é uma figura cada vez mais isolada, com poucos aliados políticos. Nas próximas semanas, ele enfrentará a possível perda de sua cadeira no Senado por supostos abusos no financiamento de campanhas, bem como uma investigação da Suprema Corte sobre sua conduta durante a Lava Jato.

ARTIGO EMIR SADER

O jornal argentino Página 12 publica o artigo de Emir Sader “O Brasil de Lula”. Entre outras análises afirma que “esse governo Lula faz parte do processo de superação do neoliberalismo, após o período neoliberal e autoritário de Bolsonaro. O modelo econômico atual já é diferente. A prioridade não é mais o ajuste fiscal, mas a implementação de diferentes e variadas formas de políticas sociais. Não se trata mais do Estado mínimo, mas, ao contrário, do fortalecimento da capacidade de intervenção do Estado. Não se trata mais de implementar acordos de livre comércio com os EUA, mas de desenvolver políticas de integração regional e intercâmbios Sul-Sul no mundo”.

LULA-BIDEN

O presidente Lula convidou seu colega norte-americano, Joe Biden, em uma carta, para visitar o Brasil, de preferência no primeiro semestre do ano. De acordo com a Globo News, o convite foi formalizado por meio de uma carta enviada em 23 de janeiro, em resposta a uma carta do presidente dos EUA, datada de 17 de janeiro e conhecida nesta segunda-feira, informa a Prensa Latina.

Foto de Jair Bolsonaro e Carlos Bolsonaro / Reprodução

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