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“Não sei o que o amanhã nos trará. Vamos ter que começar tudo de novo”

“Não sei o que o amanhã nos trará. Vamos ter que começar tudo de novo”

O tema dos sem casa obrigados a viver em abrigos no Rio Grande do Sul atraiu parte da mídia internacional. São centenas e muitos sites trazem entrevistas com esses gaúchos que perderam tudo na catástrofe climática.

A BBC internacional traz reportagem no domingo sobre os gaúchos que tiveram que se encaminhar a abrigos em função da calamidade climática que se abateu sobre o RS. “Vim para cá apenas com as roupas do corpo. Nada, nada mesmo”, diz Albertina Simonetti, de 71 anos. Ela é uma das cerca de 6.000 pessoas que vivem atualmente em um ginásio esportivo universitário no estado mais ao sul do Brasil, o Rio Grande do Sul. O local foi convertido em um abrigo para as pessoas cujas casas foram destruídas nas piores enchentes da história do estado, que mataram mais de 150 pessoas, desalojaram mais de 600.000 e deixaram cidades inteiras debaixo d’água. As pessoas estão dormindo em colchões no chão frio e lotado. Apenas os telhados da maioria das casas ainda são visíveis acima da água. A maioria está totalmente destruída. A esperança de retornar e reconstruir suas vidas em breve faz pessoas como Albertina se agarrar firmemente, mas a dura realidade sugere que isso ainda pode estar muito distante.

Três semanas após uma das piores enchentes de todos os tempos no Brasil ter atingido o estado mais ao sul do país, matando 155 pessoas e forçando 540.000 a deixar suas casas, especialistas alertaram que os níveis de água levarão pelo menos mais duas semanas para baixar. O número de mortos no Rio Grande do Sul continua aumentando diariamente, e mais de 77.000 pessoas desabrigadas permanecem em abrigos públicos, o que levou o governo estadual a anunciar planos para construir quatro “cidades-tendas” temporárias para acomodá-las, diz o Guardian de domingo. “Essas chuvas foram típicas da crise climática: muito intensas, com um grande volume de água concentrado em um curto período”, disse Anderson Ruhoff, professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A reportagem do Guardian é de Tiago Rogero, do Rio de Janeiro.

Também o francês Le Parisian publicou reportagem pelo ângulo dos abrigos no RS: Em meio a montanhas de roupas e brinquedos doados, quase 800 pessoas estão sendo abrigadas nesse gigantesco galpão na capital do estado do Rio Grande do Sul, que há quase três semanas está sob o domínio de um desastre climático sem precedentes nessa parte do mundo, que já deixou mais de 150 pessoas mortas e cerca de cem desaparecidas. Texto da agência AFP de domingo. Em um colchão no chão do maior refúgio de Porto Alegre, Rafael Adriano Peres está lutando para se mover: ele foi atropelado por um carro nas primeiras horas das enchentes históricas que afetaram o sul do Brasil e, quando conseguiu sair do hospital com duas costelas quebradas, sua esposa havia deixado a pequena casa, que foi invadida pelas águas. Agora, reunido, ele abraça Mara, de 45 anos. “Não sei o que o amanhã nos trará. Vamos ter que começar tudo de novo”, diz o homem de 35 anos, que ganhava a vida como reciclador informal em Porto Alegre, cidade que ainda está submersa após a enchente do Rio Guaíba.

Os criadores de suínos do Rio Grande do Sul, que respondem por um quarto de todas as exportações brasileiras de carne suína, perderam cerca de 12.600 animais depois que as enchentes submergiram cidades inteiras e destruíram infraestruturas essenciais no estado mais ao sul do Brasil. Em uma entrevista nesta segunda-feira, Valdecir Folador, chefe de um lobby de produtores de suínos no estado chamado ACSURS, disse que cerca de 30 fazendas foram afetadas pelas inundações mortais, incluindo propriedades operadas por fornecedores da BRF, JBS e Seara, informa a Reuters.

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O portal Rebelión traz extensa análise a partir da enchente no RS com o título “Catástrofes climáticas e ecomunitarismo: reflexões iniciais” de Sirio López Velasco, pensador uruguaio, radicado no Brasil. “Não estamos lidando com um fenômeno puramente ‘natural’, mas com um fenômeno que também é causado pelos efeitos da atividade humana”, diz. “As mortes tiveram um forte cunho de classe no contexto do capitalismo predominante”.

AMAZÔNIA

A floresta amazônica brasileira sofreu as maiores queimadas já registradas nos primeiros quatro meses do ano. O sindicato dos trabalhadores ambientais atribuiu nesta segunda-feira parte da culpa à redução dos gastos do governo com o combate a incêndios. Segundo a Reuters, o Ministério do Meio Ambiente e o órgão de fiscalização ambiental Ibama não responderam imediatamente ao pedido de comentário. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, apostou sua reputação internacional na proteção da floresta amazônica e na restauração do Brasil como líder em políticas climáticas. A Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, é vital para conter o aquecimento global catastrófico devido à grande quantidade de gases de efeito estufa que ela absorve.

PCC EM GUERRA

O Le Monde de domingo questiona: O Brasil está em estado de “guerra”? E a seguir responde: Se as manchetes dos principais meios de comunicação do país servirem de referência, podemos ficar tentados a pensar que sim. Relatam um conflito “histórico” e “sem precedentes” entre os líderes da maior organização criminosa do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC). Tudo começou com um motim orquestrado por três supostos líderes do grupo de tráfico de drogas. O trio de golpistas liderado por Roberto Soriano, Abel Pacheco de Andrade e Wanderson Nilton de Paula Lima, conhecidos respectivamente como “Tiriça”, “Vida Loka” e “Andinho”, agora se opõe abertamente ao líder histórico do PCC, o temido Marco Willians Herbas Camacho, conhecido em todo o Brasil pelo apelido de “Marcola” (com foto que ilustra o texto).

E a detalhada reportagem do repórter Bruno Meyerfeld (SP) explica: As raízes do conflito ainda não estão claras. A polícia alega ter interceptado uma mensagem transmitida pelos rebeldes em fevereiro, decretando nada menos que a expulsão de Marcola da organização e sua sentença de morte. “Tiriça”, “Vida Loka” e “Andinha” acusaram Marcola de ter denunciado membros do PCC à polícia. O líder da organização também teria chamado um dos membros do trio de “psicopata”.

PETROBRAS

O presidente Lula deve descobrir em breve que a troca do CEO da Petrobras não é suficiente para transformar a empresa estatal de petróleo no motor de criação de empregos e desenvolvimento que foi durante seus primeiros mandatos, de 2002 a 2010. Na semana passada, Lula encarregou a nova CEO Magda Chambriard de acelerar os investimentos em estaleiros, fábricas de fertilizantes, refinarias e linhas de gás natural para impulsionar a economia brasileira, de acordo com fontes familiarizadas com as conversas, diz a Reuters.

Na imagem, abrigo em Porto Alegre / Pedro Piegas / Prefeitura de P.A.

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