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Lula retira embaixador do Brasil em Israel

Lula retira embaixador do Brasil em Israel

A decisão desta quarta-feira do presidente Lula de retirar o embaixador brasileiro de Israel repercutiu na mídia da América Latina, além de agências internacionais.

O presidente Lula nomeou para cargo na Suíça o embaixador que foi constrangido por autoridades em Israel. O presidente Lula removeu seu embaixador em Israel de seu posto e o enviou para servir como seu representante especial em Genebra, em meio a uma disputa diplomática entre os dois países. A remoção de Frederico Meyer ocorre poucos meses depois que Lula o chamou de volta ao Brasil. A retirada de Meyer ocorreu depois que o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, convocou Meyer para lhe dizer que Lula era persona non grata no país do Oriente Médio.

A medida de Israel estava relacionada aos comentários de Lula, que comparou a guerra de Israel em Gaza ao Holocausto. Meyer não havia retornado a Israel desde então. Um novo embaixador brasileiro em Israel será anunciado oportunamente, disse o Ministério das Relações Exteriores do Brasil em um comunicado, acrescentando que, até lá, sua embaixada em Tel Aviv será liderada por seu encarregado de negócios, noticia a Reuters.

O argentino Ámbito também noticiou a retirada do embaixador e deu mais detalhes. Durante a 37ª Cúpula Ordinária de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), realizada em fevereiro deste ano, Lula criticou a guerra de Israel na Faixa de Gaza, onde mais de 36 mil palestinos foram mortos. “O que está acontecendo na Faixa de Gaza não é uma guerra, é um genocídio”, disse Lula, comparando-o ao Holocausto, observando que “uma guerra entre um exército altamente treinado contra mulheres e crianças nunca aconteceu antes na história, exceto quando Hitler decidiu matar os judeus”. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu também reagiu a essas observações, chamando as palavras de Lula de “vergonhosas e graves”. Em uma declaração oficial, ele argumentou que elas buscam “trivializar o Holocausto e o direito de Israel de se defender”.

O também argentino Clarín foi mais além e deu a notícia com o título: “A crise Brasil-Israel se agrava: Lula destitui seu embaixador em Tel Aviv e não nomeará outro por enquanto”.  A notícia tem origem na agência France Press que ouviu uma fonte que destacou que “a humilhação a que (Meyer) foi submetido” durante o episódio no Yad Vashem fez com que o Brasil decidisse retirar o embaixador. “Não havia condições para que ele retornasse (a Israel). Essa foi a avaliação”, acrescentou. Mais de 36.000 pessoas, a maioria civis, foram mortas em Gaza desde o início do conflito entre Israel e o Hamas, de acordo com o último balanço do movimento islâmico palestino que governa o território.

O El Tiempo da Colômbia também reproduziu a reportagem da agência France Press. E vai mais longe. Afirma que Lula, cujo país está presidindo o G20 deste ano, tem sido uma das vozes mais fortes no cenário internacional contra a ofensiva militar de Israel em Gaza. Na semana passada, o líder esquerdista saudou a “decisão histórica” da Espanha, Irlanda e Noruega de reconhecer o Estado palestino, uma decisão que ele considerou positiva para impulsionar os “esforços” de paz no Oriente Médio. Lula, 78 anos, também lembrou que o Brasil foi “um dos primeiros países da América Latina” a reconhecer o Estado palestino, em um movimento que mais tarde foi seguido por outras nações da região. Foi em dezembro de 2010, no final do seu segundo mandato.

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O israelense The Times of Israel, que publica em inglês,  também reproduziu a notícia da AFP. Informa que n]ao há plano para enviar um substituto.

*Em nota, o Itamaraty informou a designação do embaixador Frederico Meyer como representante especial do Brasil junto à Conferência do Desarmamento, em Genebra. Ates da embaixada de Israel, Meyer foi cônsul-geral em Cantão (2019-2023), representante permanente alterno na missão do Brasil junto às Nações Unidas em Nova York (2017-2019) e embaixador no Marrocos (2011-2015) e no Cazaquistão (2006-2011).

GOL + AZUL

O Grupo Abra, holding que engloba as companhias aéreas Gol, do Brasil, e Avianca, da Colômbia, confirmou que está em negociações com a companhia aérea brasileira Azul para explorar oportunidades como um acordo de fusão. A Gol esclareceu esse assunto após ter sido solicitada pela Superintendência de Listagem e Supervisão de Emissores da B3, a empresa responsável pela administração da Bolsa de Valores de São Paulo. Embora inicialmente tenha se pensado que a Azul estaria disposta a comprar a Gol, nas últimas semanas foi levantada a possibilidade de uma fusão entre as duas empresas para criar uma companhia na qual a Abra também seria acionista. De acordo com a Gol, um possível acordo entre o Grupo Abra e a Azul não seria vinculativo para a empresa. Na última semana, as duas companhias aéreas assinaram um acordo de compartilhamento de código para conectar suas redes de voos, o que é visto como um primeiro passo para a integração das duas companhias aéreas, segundo o argentino La Nación.

Na imagem, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz (esq.), e o então embaixador brasileiro em Israel, Frederico Meyer, em fevereiro, data em que Israel declarou Lula persona non grata no país / Reprodução

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