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Lula ao WP: “Um governo que melhora vidas é a melhor resposta aos extremistas”

Lula ao WP: “Um governo que melhora vidas é a melhor resposta aos extremistas”

Artigo do presidente brasileiro, publicado no Washington Post, quando se completa um ano da intentona golpista, reafirma a vitória da democracia e aponta as desigualdades como terreno fértil para extremismos políticos.

POR TATIANA CARLOTTI

Intitulado O Brasil frustrou uma tentativa de golpe. Aqui estão nossas lições para o mundo, o artigo do presidente Lula, publicado no Washington Post (WP), quando se completa um ano da intentona golpista de 8 de Janeiro, reafirma vitória da democracia no país, mas destaca a inviabilidade de uma democracia plena frente às desigualdades sociais, que se tornam um terreno fértil para os extremismos políticos.

Aos leitores do WP, e no ano de eleições nos Estados Unidos, Lula destaca que “nas últimas décadas, um modelo de desenvolvimento econômico excludente concentrou os rendimentos, fomentou a frustração, restringiu os direitos dos trabalhadores e alimentou a desconfiança nas instituições públicas. A desigualdade serve como terreno fértil para o extremismo e a polarização política”.

Citando a proximidade entre os ataques no Brasil e no Capitólio em 2021, o presidente aponta que um “outro 6 ou 8 de Janeiro só poderá ser evitado transformando a realidade da desigualdade e do trabalho precário”. Em sua avaliação, “um governo que melhora vidas é a melhor resposta que temos aos extremistas que atacam a democracia”.

O artigo termina com um forte apelo aos líderes das grandes potências e a lembrança de “que o combate às desigualdades em todas as suas dimensões” estará “no centro da agenda” do G20, presidido pelo Brasil neste 2024. Leia a íntegra do artigo (e a tradução).

DEMOCRACIA PARA POUCOS NÃO É DEMOCRACIA

Com participação de 500 convidados, entre eles o ex-presidente José Sarney, o ato Democracia Inabalada, ocorrido na Sala Negra do Senado, na tarde de hoje, reuniu o presidente Lula, os ministros do STF, o presidente do Senado Rodrigo Pacheco, lideranças parlamentares e a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Cleide, representando os governadores do país. Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, não participou do ato.

Em seu discurso, Lula destacou que “democracia para poucos não é democracia”, explicou a importância da justiça social e da igualdade de oportunidades no combate aos extremismos, mencionou a resiliência do PT e dele próprio, exemplos da luta democrática no país, e foi categórico quanto à necessidade de se punir os golpistas. “O perdão soaria como impunidade e a impunidade como salvo-conduto para novos atos terroristas”, apontou, ponderando que nós “salvamos a democracia, mas que ela nunca está pronta, precisa ser construída e cuidada todos os dias”, afirmou o presidente em seu discurso.

A importância do Ato pela Democracia também foi defendida pela jurista Carol Proner, em texto publicado no Nodal: “Não há dúvida de que a rememoração ou mesmo a comemoração do 08 de janeiro, dado o sentimento de vitória institucional diante do golpismo, faz-se absolutamente necessária para registrar o ápice da violência fomentada pela extrema-direita durante os últimos anos”, afirma. (leia a íntegra)

No argentino Página 12, reportagem de Dario Pignotti sobre o evento destaca a responsabilidade de Jair Bolsonaro, mencionada dias atrás pelo presidente Lula. “Há um responsável que planejou tudo e esse responsável foi o ex-presidente da República (…) Não temos pressa, o que queremos é que a justiça seja feita de fato e de direito para que ninguém mais se atreva a atingir o processo democrático” (leia a reportagem).

Pignotti também destaca a ausência dos governadores dos quatro estados mais importantes do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Minas Gerais no ato, apontando que eles são próximos de Bolsonaro. O mesmo ponto chama a atenção do português Público, em reportagem de João Ribeiro, sobre a polarização política que permanece no Brasil (leia a reportagem).

No mesmo veículo, a repórter Thaísa Oliveira acompanha o duro trabalho de restauro das obras de arte e dos prédios públicos, informando que “na Câmara de Deputados do Brasil, 54 obras danificadas já foram restauradas. No Senado, só para recuperar um quadro, terão de ser gastos 150 mil euros” (leia aqui).

SEM PERDÃO!

Neste 8 de Janeiro, a Polícia Federal, no escopo da Operação Lesa Pátria que investiga os atos golpistas, cumpriu 46 mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva na Bahia. Todos foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e aconteceram em Mato Grosso (10), Rio Grande do Sul (13), Distrito Federal (5), Maranhão (4), Bahia (2), Goiás (2), Minas Gerais (2), Paraná (1), Rondônia (1), Santa Catarina (2), São Paulo (1) e Tocantins (3).

O STF também marcou para fevereiro deste ano, conforme destaca a cubana Prensa Latina, o julgamento de sete membros do comando da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Eles são acusados de omissão durante os atos golpistas e entre eles constam os coronéis Klepter Rosa Gonçalves e Fábio Augusto Vieira, e mais cinco oficiais superiores (leia reportagem).

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Cerca de 2.000 pessoas foram presas durante o ataque em Brasília, aponta Ricardo Britto da Agência Reuters (leia reportagem). Segundo Bernardo Gutiérrez, do El Diário, o rápido envio para a prisão de 1.418 pessoas envolvidas nos incidentes – 2.151 se incluídos os detidos nos acampamentos em frente aos quartéis do Exército – permitiu uma ação judicial firme contra a ala radical do bolsonarismo”. Mesmo assim, “Jair Bolsonaro concluiu o ano com apoio expressivo: 38 % dos brasileiros consideram que o seu governo foi melhor que o de Lula (contra 49%% que pensam o contrário)” (leia a reportagem).

O El Diário da Argentina, que também cobriu a data no Brasil, aponta que o STF vem mantendo a linha dura que condenou Aécio Lúcio Costa Pereira a 17 anos de prisão, e ao pagamento de multa coletiva de cerca de 6,5 milhões de dólares. Porém, a maior parte dos presos “pertence ao baixo clero golpista, um grupo heterogêneo de cidadãos comuns que se radicalizaram-se nos últimos anos”, afirma.

A maioria das pessoas foi “libertada ao longo de 2023 por motivos humanitários ou em troca de cumprimento de penas menores (pagamento de multas, serviço comunitário ou uso de tornozeleiras eletrônicas). Das 66 pessoas que permanecem atrás das grades, 33 são acusadas de serem executores diretos do crime e 25 de terem financiado os atos”, complementa (leia a reportagem).

PRIMEIRO ANO DE GOVERNO LULA

O primeiro ano de governo foi mencionado pelo presidente Lula em seu artigo ao Washington Post. Ele cita como conquistas desse primeiro período: o retorno das políticas públicas de combate das desigualdades (Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Farmácia Popular), a queda em 50% do desmatamento na Amazônia e o crescimento da economia brasileira, três vezes mais que a expectativa do Fundo Monetário Internacional (FMI), fazendo do nosso país “o segundo maior destino de investimento estrangeiro direto no mundo”. Leia a íntegra do artigo (e a tradução).

O tema também é destaque na reportagem no Le Monde: para Lula foi “um primeiro ano com resultados encorajadores mas frágeis”, afirma o jornalista Bruno Meyerfeld que destaca, desse primeiro ano de governo, o crescimento e emprego “melhores do que o esperado”, a queda no desmatamento na Amazônia, o reajuste do salário mínimo em 16,5%, a volta dos programas sociais (Minha Casa, Minha Vida, Farmácia Popular) e a retomada dos investimentos, lembrando que trezentos mil milhões de euros foram liberados ao longo de quatro anos, para um vasto plano centrado no desenvolvimento de infraestruturas no país. No entanto, pondera, o Brasil “continua politicamente dividido e o presidente tem de lidar com um Congresso que continua dominado pela oposição” (leia a íntegra).

No mesmo sentido, o espanhol El Diário elenca as conquistas deste primeiro ano, citando o Novo PAC, a lei da igualdade salarial entre homens e mulheres, o novo imposto para os milionários e o aumento do salário-mínimo acima da inflação. “Lula dedicou boa parte de seus esforços [neste ano] à consolidação de uma maioria num Congresso hostil que o obrigou a fazer um acordo com forças conservadoras”, reconhece o artigo (leia a reportagem).

SAÚDE

A Agência Nodal traz uma reportagem sobre o aumento em 105% do número de profissionais que atuam no programa Mais Médicos. Segundo um balanço do Ministério da Saúde, com 28,2 mil vagas preenchidas em 82% do território nacional, 86 milhões de pessoas foram beneficiadas pelo programa e 744 novos municípios passaram a ser atendidos (leia a íntegra).

No Financial Times, reportagem de Bryan Harris informa que, segundo autoridades de saúde no Brasil, o número de casos de dengue no país pode atingir um recorde de 5 milhões em 2024, à medida que as mudanças climáticas e o padrão climático El Niño no Oceano Pacífico alimentam a propagação de doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue, a chikungunya e o zika (leia a reportagem).


Ato Democracia Inabalada ocorrida na tarde desta segunda-feira (8/01) no Congresso Nacional. (Foto: Lula Marques – Agência Brasil).

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