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Índice de aprovação do governo Lula mostra cenário misto: estável na Quaest, em alta na Atlas e queda na CNT

Índice de aprovação do governo Lula mostra cenário misto: estável na Quaest, em alta na Atlas e queda na CNT

As pesquisas de opinião divulgadas esta semana mostram um cenário misto para os índices de aprovação do governo Lula. Duas pesquisas indicaram declínio, enquanto uma terceira vê uma melhora. A aprovação do governo caiu de 35% em fevereiro para 33% em maio, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, igualando-se à taxa de desaprovação, que caiu apenas 1 ponto percentual (ambos os resultados dentro da margem de erro, portanto estável). Embora a aprovação de Lula como presidente esteja em seu nível mais baixo desde que assumiu o cargo no ano passado, o diretor da Quaest, Felipe Nunes, disse que seu declínio parou no sudeste do Brasil, mais populoso e rico, e entre os brasileiros evangélicos que tendem a se opor a ele. No início deste ano, as pesquisas que mostravam o declínio da popularidade de seu governo levaram Lula a exigir resultados de seus ministros.

Na terça-feira, pesquisa de opinião da CNT/MDA mostrou um novo declínio na aprovação do governo, de 43% em janeiro para 37% em maio. A desaprovação aumentou de 28% para 30% no mesmo período. Entretanto, uma terceira pesquisa, com uma base de comparação mais recente, mostrou um cenário diferente, com a aprovação de Lula aumentando.  Índice de bom ou ótimo subiu de 38% em março para 43% em maio, de acordo com a pesquisa da AtlasIntel divulgada na terça-feira. Enquanto isso, aqueles que consideram sua administração ruim ou péssima se estabilizaram em 41%.

A CNT/MDA entrevistou 2.002 pessoas entre 1 e 5 de maio, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais. A AtlasIntel entrevistou 1.904 pessoas entre 3 e 6 de maio, e sua margem de erro é de 2 pontos percentuais. A Genial/Quaest entrevistou 2.045 pessoas entre 2 e 6 de maio. A pesquisa tem uma margem de erro de 2,2 pontos percentuais, a reportagem é da agência Reuters.

CALAMIDADE NO RS

O número de mortos em decorrência das fortes chuvas que inundaram o Rio Grande do Sul nos últimos dias subiu para 100, informou a defesa civil local nesta quarta-feira, enquanto o estado mais ao sul do Brasil se prepara para mais chuvas nas próximas horas e dias. As tempestades causaram enchentes que destruíram pontes e prédios, transformando ruas em rios e deixando mais de 163.000 desabrigados no Rio Grande do Sul, que faz fronteira com o Uruguai e a Argentina, informa a Reuters. 128 pessoas estão desaparecidas. Segundo a empresa de meteorologia MetSul, a região deve enfrentar inundações “muito grandes” “de proporções graves”. As equipes de resgate correram para evacuar as pessoas que ficaram presas nas enchentes devastadoras que atingiram o estado do Rio Grande do Sul, com 100 mortos, milhares de desabrigados e sobreviventes desesperados em busca de alimentos e suprimentos básicos.

Nos arredores de Eldorado do Sul, a 17 quilômetros da capital do estado, Porto Alegre, muitas pessoas estavam dormindo na beira da estrada e disseram à Reuters que estavam passando fome. Famílias inteiras estavam saindo a pé, carregando seus pertences em mochilas e carrinhos de compras.

No título do Independent, “O sul do Brasil ainda está sofrendo com as grandes inundações e enfrenta o risco de novas tempestades”. As autoridades do sul do Brasil estão correndo para resgatar os sobreviventes das grandes enchentes que mataram pelo menos 100 pessoas, mas alguns moradores estão se recusando a deixar seus pertences para trás, enquanto outros estão voltando para as casas evacuadas, apesar do risco de novas tempestades. A reportagem traz declarações de autoridades e trata o tema como calamidade. O jornal britânico reproduziu texto a agência Associated Press.

A população do sul do Brasil descreveu a devastação como sem precedentes causada pelas enchentes e pelo transbordamento dos rios, que deixaram grande parte da região debaixo d’água. As enchentes são a pior calamidade natural que já atingiu o estado do Rio Grande do Sul, segundo as autoridades. Estima-se que 1,4 milhão de pessoas tenham sido afetadas pelas enchentes e os trabalhadores humanitários estão lutando para fornecer água potável a essas pessoas. Dias de chuvas torrenciais fizeram com que os rios transbordassem e submergissem cidades inteiras, publicou a BBC que entrevistou diversas pessoas atingidas pela tragédia.

“Estamos sem comer há três dias”: cheias no Brasil somam 150 mil desalojados e 100 mortes, destaca o português Público.

O Financial Times preferiu destacar os danos financeiros das enchentes no RS, que atingem US$ 1 bilhão.

O francês Le Parisian também destacou os danos que totalizam quase um bilhão de euros. Pelo menos 100 pessoas morreram e 128 estão desaparecidas depois que uma enchente sem precedentes atingiu o sul do Brasil, de acordo com o último relatório. Mais de 160.000 pessoas tiveram que deixar suas casas.

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No La Nación, declarações como: “É uma situação terrível, quase como um cenário de guerra”. Com essas palavras, Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS), começou a descrever como os produtores agrícolas da região estão vivendo as dramáticas enchentes que, segundo ele, “varreram tudo em seu caminho”, tirando vidas humanas, deixando dezenas de desaparecidos, destruindo casas e com inúmeras perdas de produção. “Temos muitos produtores que perderam tudo, que perderam familiares, suas casas e seus meios de produção. Eles perderam suas plantações de soja, arroz e milho, e seus maquinários agrícolas estão submersos na água. Os animais também morreram. Estamos em uma situação extremamente difícil”, disse ele. O La Nación dedica inúmeras reportagens à tragédia do RS.

No Clarín, “Enchentes no Brasil: a água está baixando em Porto Alegre, mas bairros inteiros ainda estão inundados e o número de mortos chega a 100”.

AGORA, NO URUGUAI

Mais de 750 pessoas estão desabrigadas na costa do Uruguai devido às inundações causadas pelas chuvas dos últimos dias, em um contexto de fortes tempestades que também afetam o sul do Brasil, onde pelo menos 100 pessoas morreram e 128 estão desaparecidas. O Sistema Nacional de Emergência do Uruguai (Sinae) informou que, no norte do país, há 763 pessoas desabrigadas, das quais 199 foram evacuadas para centros de evacuação e 564 foram por conta própria para casas de familiares e amigos, segundo o argentino La Nación.

PREVIDÊNCIA

O Ministério do Planejamento está se preparando para rever novamente os gastos do governo, incluindo mudanças no cálculo dos benefícios previdenciários e trabalhistas, mas não está planejando nenhuma implementação imediata. As revisões serão feitas até dezembro e quaisquer medidas não serão implementadas até 2025 ou 2026, disse a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. “Enquanto houver gordura para cortar, não precisamos nos aprofundar em questões mais espinhosas e delicadas, que precisariam de condições fiscais e orçamentárias piores e do envolvimento da classe política”, disse ela à Reuters.

ESCRAVIDÃO

A ministra da Cultura do Brasil disse à agência de notícias Lusa, na terça-feira, que “não há como negar a necessidade de uma reparação” de Portugal pelo período colonial. Ao ser questionada sobre o debate levantado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre a necessidade de reparações portuguesas, Margareth Menezes considerou que “as ações estão registadas na história” e por isso “não há como negar a necessidade de uma reparação”. Informa o português Expresso.

AINDA MADONNA

Para os apoiadores conservadores do ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, o recente mega show de Madonna no Rio de Janeiro pareceu a oportunidade perfeita para marcar pontos contra o que eles veem como a esquerda ímpia e moralmente degenerada. Depois que a Rainha do Pop fez o maior show de seus 40 anos de carreira na praia de Copacabana no sábado, um deputado de extrema direita chamou a cantora de “satanica”. Outro repreendeu os “atos imorais” que se desenrolaram no palco durante o evento sexualmente carregado e chamou a apresentação de Madonna de “uma afronta às leis brasileiras”. Só há um problema: vários bolsonaristas proeminentes estavam entre o 1,6 milhão de pessoas que lotaram uma das praias mais famosas do Brasil para ver o artista de 65 anos se apresentar.

Ricardo Rangel, colunista da revista conservadora Veja, chamou o show de Madonna de “tapa na cara de Jair Bolsonaro”. “O bolsonarismo quer ver as mulheres em casa, recatadas e obedientes, cuidando dos filhos, e despreza as mulheres empoderadas e as feministas”, escreveu. “Madonna é a representante perfeita de tudo o que o bolsonarismo detesta”. O texto de Tom Phillips, sempre irônico, é do The Guardian.

MARX 206

Evento organizado pela Editora Boitempo em comemoração aos 206 anos de Karl Marx movimenta debates sobre a esquerda e o futuro da luta revolucionária no Brasil. Entre refeições que serviam “comida de verdade”, da horta do MST, livros com preços especiais e até um bolo em homenagem ao aniversário do filósofo, as conversas fluíram entre temas como anticolonialismo, transformação social, e, é claro, marxismo. A tônica dos debates, no entanto, foi a crítica à esquerda liberal, em uma tentativa de realinhar o debate político brasileiro em favor da mudança social, no Le Monde Diplomatique.

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