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A hora da verdade para Bolsonaro e os golpistas de 8 de Janeiro

A hora da verdade para Bolsonaro e os golpistas de 8 de Janeiro

Polícia Federal fecha o cerco em torno dos principais responsáveis pela intentona golpista no Brasil. Bolsonaro nega, mas entrega o passaporte e já não pode mais sair do país.

POR TATIANA CARLOTTI

“Tempus veritatis” (hora da verdade), este é o nome da Operação da Polícia Federal que investiga a intentona golpista de 8 de Janeiro e foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (8.02), por determinação do ministro Alexandre de Moraes (STF), com 33 mandados de busca e apreensão, quatro mandados de prisão preventiva e 48 medidas cautelares.

Um dos principais alvos da Operação é o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que entregou nesta tarde o passaporte solicitado pelos policiais que bateram, nesta manhã, em sua residência, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Também foram detidos seus ex-assessores Filipe Martins, o coronel Marcelo Costa e o major Rafael Martins de Oliveira; e preso, por portar uma arma ilegal, o presidente do PL Valdemar Costa Neto.

As investigações apontam que, em novembro de 2022, após a vitória de Lula, Bolsonaro tinha conhecimento e inclusive alterou o texto de uma minuta que detalhava os passos do Golpe, incluindo a prisão de autoridades do Judiciário brasileiro, como os ministros do STF, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes; e do Parlamento, como o atual presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

A autoria da minuta é atribuída ao advogado Amauri Saad e teria sido encaminhada por Martins a Bolsonaro que, com o documento em mãos, tentou convencer os três representantes das Forças Armadas – o almirante Almir Garnier Santos que teve o celular apreendido, o general Freire Gomes e o brigadeiro Batista Júnio – a darem um golpe, impedindo a posse de Lula e convocando novas eleições.

Como aponta jornalista brasileiro Kennedy Alencar em seu twitter (X), “convidados e pressionados a dar um golpe, os “legalistas” do Alto Comando do Exército não deram voz de prisão aos golpistas nem denunciaram a tramoia (…) dando tempo para que Bolsonaro e seus fascistas civis e militares tentassem consumar o golpe”.

Entre os generais investigados constam: Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil), Augusto Heleno (ex-GSI) e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira (ex-ministro da Defesa). Também é investigado o ex-ministro Anderson Torres (Justiça e Segurança Pública). Autorizada por Moraes, a Operação foi avalizada pelo procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet.

O desmantelamento do golpe no Brasil foi o grande tema sobre o Brasil nas grandes agências de notícias como a Agencia EFE e a Reuters; e nos principais veículos jornalístico (para ler a reportagem basta clicar nos títulos) como os norte-americanos The Washington Post e The New York Times; os britânicos The Guardian, Independent e Financial Times; os franceses Le Monde e Le Parisien; os espanhóis El Diario e El Mundo; os portugueses Correio da Manhã , Público e Expresso; o angolano O Guardião; nos argentinos Clarín, La Nacion e La Política Online, no colombiano El Tiempo, no uruguaio El Observador, no mexicano El Universal e vários outros.

Na cubana Prensa Latina, destaque para as declarações do presidente Lula sobre a Operação desta quinta: “As pessoas precisam de aprender: eleições democráticas, as pessoas perdem e as pessoas ganham. Quando as pessoas perdem, as pessoas sofrem. Quando o povo vence, o povo assume e governa o país. O cidadão (Bolsonaro) que estava no Governo não estava preparado para vencer, para perder e não estava preparado para sair. Houve uma tentativa de golpe, uma política de desprezo pela democracia, houve uma tentativa de destruir algo que construímos há tantos anos, que é o processo democrático”.

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Bolsonaro nega, apesar de todas as evidências. À CNN Brasil afirmou que “ninguém entende essa ‘tentativa de golpe’. Não se movimentou um soldado em Brasília para dar golpe em ninguém aí”. Já a ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro, confirmou que deixará o Brasil nos próximos dias rumo aos Estados Unidos. Ela será acompanhada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) em um tour por igrejas evangélicas norte-americanas.

OUTROS ASSUNTOS DO DIA

The Guardian traz reportagem sobre o aumento dos casos de dengue no Brasil e as medidas de emergência que estão sendo adotadas, entre elas o início de uma campanha de vacinação em massa. Já foram registrados, desde o início do ano, 364.855 casos de infecção pelo mosquito, quatro vezes mais do que no mesmo período de 2023, e confirmadas 40 mortes. Minas Gerais e o Distrito Federal estão em estado de emergência. Em visita à Brasília, Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que “o atual surto de dengue faz parte de um grande aumento global da dengue, com mais de 500 milhões de casos e mais de 5.000 mortes notificadas no ano passado em 80 países em todas as regiões do mundo, exceto na Europa”. A Associated Press destacou o tema em suas imagens.

O argentino La Política Online traz a pesquisa da Atlas Intel (06/02) que avalia o governo Lula e a imagem dos principais líderes políticos do país. Lula conta com aprovação de 51.5%. Bolsonaro tem 43%, mas uma rejeição de 51%. O pior político é Sérgio Moro, com 65% de rejeição. Na avaliação do governo federal, 42% disseram concordar com a direção atual, 15% classificaram como regular e 39% consideram o governo ruim. O destaque é a queda da desaprovação do governo em 6 ponto em comparação com a medição de novembro. A reportagem traz a íntegra da pesquisa.

No uruguaio La Diaria, reportagem de Lúcia Barrios sobre como o Uruguai vem permitindo a evasão fiscal de grandes empresas da Argentina e do Brasil, com base no relatório Cruzando fronteiras para colher lucro, dos pesquisadores argentinos Alejandro Gaggero e Gustavo García Zanotti, por iniciativa da Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES).

A cubana Prensa Latina traz uma reportagem sobre a atuação do Ministério da Saúde no enfrentamento de 11 enfermidades causadas sobretudo pela pobreza e pobreza-extrema, como a tuberculose, a lepra, as hepatites virais, a AIDS, a doença de Chagas, a sífilis entre outras. Elas foram responsáveis pela morte de 59 mil pessoas no país, entre 2017 e 2021.

EM TEMPO:

Exposição no Senado Federal, em Brasília, sobre a intentona golpista foi inaugurada essa semana e traz, entre outras obras, a tela “8 de Janeiro de 2023” do artista plástico Vik Muniz, que trabalhou em sua composição com estilhaços e material residual gerado durante o vandalismo em Brasília:

8 de Janeiro, Vik Muniz.

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