BAHIA: Governo presente cuida da gente

Lula, sobre manutenção da Selic: BC decidiu investir no sistema financeiro e nos especuladores

Lula, sobre manutenção da Selic: BC decidiu investir no sistema financeiro e nos especuladores

BC BOM PARA ‘TRADERS’

O Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira (19) manter a taxa básica de juros em 10,5% ao ano, interrompendo um ciclo de sete cortes consecutivos que vinha desde agosto passado. A decisão representa um revés para o governo Lula, que vinha pressionando por reduções mais agressivas para estimular o crescimento econômico.

O Comitê de Política Monetária (Copom) justificou a manutenção da taxa diante do cenário global incerto e da resiliência da atividade econômica doméstica, além do aumento das projeções de inflação. A decisão foi unânime entre os nove membros do Copom. Analistas preveem que, com a maioria do conselho do BC sendo nomeada pelo presidente Lula no próximo ano, a política monetária possa se tornar mais flexível.

Nesta quinta-feira (20), Lula classificou a decisão do Banco Central de manter a Selic inalterada como vergonhosa, renovando suas críticas à instituição por considerar os custos de empréstimos muito altos. Em entrevista à rádio Verdinha, em Fortaleza, Ceará, ele afirmou que um presidente nunca interfere no comitê que determina as taxas de juros, mas argumentou que a população é quem mais perde com essa decisão. “Nós estamos investindo no povo brasileiro. A decisão do Banco Central foi investir no sistema financeiro, foi investir nos especuladores que ganham dinheiro com os juros. E nós queremos investir na produção”, declarou o presidente.

Na última terça-feira (18), também durante uma entrevista, desta vez à rádio CBN, Lula disse que planeja nomear para o cargo de presidente do BC “uma pessoa madura, calejada, responsável, que tenha respeito pelo cargo que exerce, que não se submeta a pressões de mercado e que faça aquilo que for de interesse de 213 milhões de brasileiros”. (Yahoo Finanzas, La Nación, Reuters).

ANTES NA ENCOLHA/AGORA COM DEBATE

Após a intensa comoção e pressão da população brasileira, a Câmara dos Deputados decidiu voltar atrás na tentativa de acelerar a tramitação do projeto que visa criminalizar o aborto em casos de violação. O presidente da casa, Arthur Lira, anunciou na terça-feira (18) a criação uma “comissão representativa” para debater o assunto no segundo semestre.

Na última semana, as bancadas conservadoras promoveram um movimento para levar o projeto conhecido como ‘PL do Aborto’ diretamente ao plenário sem debate prévio nas comissões, gerando controvérsia e provocando manifestações em várias cidades do país. O presidente Lula criticou a iniciativa, referindo-se a ela como “insanidade”.

Diante da forte pressão pública, Lira destacou a importância de um debate abrangente e assegurou que a Câmara não aprovará medidas que retrocedam em direitos já garantidos ou que prejudiquem as mulheres.

O projeto propõe alterar o Código Penal para restringir o aborto, atualmente permitido em casos de risco à vida da gestante, violação ou má-formação do feto. Fora dessas situações, o aborto é crime, com pena de até quatro anos de prisão. A proposta da bancada evangélica vai além, considerando “homicídio simples” qualquer aborto após a semana 22 de gestação, incluindo casos de violação, com pena prevista de 6 a 20 anos de prisão (Página/12).

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A CARNE MAIS BARATA

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgou um relatório alarmante sobre a violência no Brasil, destacando que em 2021 ocorreram 35.531 mortes de vítimas negras ou pardas, resultando em uma taxa de homicídios de 29,7 pessoas desse grupou por 100 mil habitantes. O índice é quase três vezes maior do que o registrado para pessoas brancas, amarelas ou indígenas, que foi de 10,8 por 100 mil habitantes, com um total de 10.209 mortes.

O documento revela que 16 estados brasileiros apresentaram taxas de homicídios entre negros superiores à média nacional. Destes, apenas Espírito Santo e Mato Grosso, ambos fora das regiões Norte e Nordeste, registraram taxas de 35,4% e 33,4%, respectivamente.

As capitais com as maiores taxas de homicídios de negros por 100 mil habitantes foram Salvador (70,2%), Macapá (69,7%) e Manaus (63,5%), superando os índices estaduais. Em contrapartida, São Paulo (4,1%), Florianópolis (7,3%) e Brasília (16,1%) foram as capitais que apresentaram os menores índices de homicídios de negros.

Os pesquisadores do IPEA destacam que, apesar das leis brasileiras proibirem a discriminação e a desigualdade racial, os dados de vitimização por violência evidenciam a persistência do racismo na prática.

O relatório ainda aponta que, em 2022, uma média de 62 jovens entre 15 e 29 anos foram assassinados diariamente no país, um cenário onde apreensões de armas de fogo são frequentes. Desde 2012, pessoas dessa faixa etária perderam mais de 15 milhões de anos potenciais de vida devido a homicídios, sendo que 49% dos 46,4 mil homicídios registrados no ano passado foram cometidos contra indivíduos nessa faixa etária, sendo a maioria (94%) do sexo masculino. (Prensa Latina).

28 FASES, E CONTANDO…

A Polícia Federal (PF) realizou nesta quinta-feira (20) a 28ª fase da Operação Lesa Pátria, que investiga pessoas que financiaram, fomentaram e promoveram a tentativa golpista de 8 de janeiro de 2023. A ação contou com 27 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Os nomes dos alvos não foram divulgados, mas o portal R7 confirmou que são empresários do sul do país envolvidos no financiamento dos atos antidemocráticos e no bloqueio de estradas. A PF declarou que a Operação Lesa Pátria será permanente, com atualizações regulares sobre mandados emitidos, prisões e foragidos. Até agora, o STF condenou 216 pessoas envolvidas nos atos golpistas

Recentemente, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao STF a inclusão dos investigados na lista de procurados da Interpol e a emissão de ordens de prisão preventiva, após o portal UOL divulgar que condenados romperam suas tornozeleiras eletrônicas e fugiram para a Argentina e o Uruguai (Prensa Latina).

DE VOLTA À MINHA TERRA

Autoridades argentinas enviaram ao Brasil uma lista de aproximadamente 40 bolsonaristas foragidos que entraram no país. O governo brasileiro repassou o documento ao STF, indicando que a justiça provavelmente solicitará a extradição dessas pessoas (Página/12).

*Imagem em destaque: Rafa Neddermeyer/Agencia Brasil

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