BAHIA: Governo presente cuida da gente

Um roteiro de filmes palestinos

Um roteiro de filmes palestinos

Um filme curta metragem de 18 minutos vem fazendo sucesso no streaming durante essas últimas semanas que marcam forte tensão internacional, repúdio e dor nos protestos de multidões de dezenas de países que protestam nas ruas do mundo contra o avanço das forças militares do estado de Israel contra Gaza. Um inaceitável processo de genocídio, limpeza étnica e massacre de 29 mil indivíduos, entre eles mulheres, crianças, idosos e idosas abatidos nas cidades, nas praias e aldeias palestinas da Faixa de Gaza, e também em notórias zonas colonizadas da Cisjordânia.

O pequeno filme de ficção com atmosfera de puro e bem engendrado terror é A Chave*, do diretor palestino Rakan Mayasi, adaptado de um conto do escritor Anwar Hamed, também palestino. O tema é o equilíbrio emocional de uma família israelense da cidade de Haifa que vai se desintegrando quando todos começam a ouvir um som misterioso na porta do seu apartamento, durante a noite. Alguém que deseja entrar. O filme, falado em hebraico com legendas em português, apresenta o problema quando a garotinha da família começa a sofrer com pseudo pesadelos e distúrbios noturnos. Levada ao médico para ser examinada e diagnosticada, a menina é tratada com calmantes como manda a pura racionalidade científica.

A Chave é parte da coleção de filmes de longas e de curtas-metragens, documentários e ficção que se encontram disponibilizados para aqueles que desejam conhecer a história dos trágicos acontecimentos na região, compreender a corajosa luta de sobrevivência do povo e entender que o sonho do retorno às terras palestinas usurpadas nunca deixou de acompanhar as várias gerações de palestinos e palestinas e de seus descendentes até os dias de hoje.

 Al Nakba: a catástrofe palestina** é um desses filmes. Documentário histórico editado no formato de série cinematográfica. Seus quatro episódios foram produzidos pela rede Al Jazeera e explicam as origens da Nakba, a catástrofe da Palestina de 1948 em seguida à criação do estado de Israel, e os acontecimentos que originaram a primeira guerra árabe-israelense. Nessa série, estão claras as origens da colonização sionista, o início da limpeza étnica processada por Israel e o regime de apartheid imposto ao povo palestino. Os episódios estão disponíveis no YouTube com legendas em espanhol. Al Nakba: a catástrofe palestina é um filme raiz, um documento básico.

Outro filme: uma pequena produção premiada no Festival de Cinema de Berlim merece ser visitada. Budrus***, de 2009, é de autoria da documentarista brasileira Julia Bacha, residente nos Estados Unidos, e narra a história da população de palestinos(as) e israelenses em seu vilarejo lutando lado a lado para impedir a construção de um muro levantado pelo governo de Tel Aviv que separaria e segregaria os dois grupos. O episódio mostrado no filme é relatado pelo jornalista Antonio Martins, editor do site Outras Palavras. Até pouco tempo atrás Budrus estava no catálogo da Globo Play, da HD e da Amazon.

Farha (Alegria, em árabe)****, da jordaniana Darin J. Sallam, é um contundente depoimento de uma jovem descendente de família expulsa das terras da sua propriedade ancestral, em 1948. A professora da USP, Luciana Garcia de Oliveira, escreveu sobre o doc: “As memórias da rotina palestina, de antes e depois da Nakba, são fundamentais para a reconstituição da história palestina. Através dessa reconstituição é possível compreender os impactos da ocupação e do conflito que se tornaram permanentes”.

A diretora de Farha baseia seu filme na história verídica de Radieh, palestina exilada na Síria, que narrou sua história para uma amiga, essa por sua vez relatou-a à filha e, depois, à neta que vem a ser a própria diretora Salan. Especial, nesse filme, são as participações de colaboradores palestinos em diversas ações violentas nas quais estiveram do lado dos israelenses durante os conflitos de 1948.

Veja Também:  Lula recebe presidente da Itália e vai a convenção Boulos-Marta; MST debate eleição na Venezuela; e investigação sobre Abin ouve Ramagem

Uma produção mais comercial, Paradise Now (O Paraíso é Agora)***** causou grande polêmica quando foi premiado com o Urso de Ouro de Melhor Filme no Festival de Berlim de 2005 e ao concorrer ao Oscar, no ano seguinte, como Melhor Filme Estrangeiro. Nessa ocasião, Israel reagiu reclamando uma indicação ilegal no seu entender. Mas o filme seguiu em frente na disputa pela estatueta dourada como produção com nacionalidade palestina dirigida por Hany Abu-Assad, o que Tel Aviv não admitia – mas teve que aceitar.

Até hoje O Paraíso é Agora é um dos filmes mais acessados no streaming sobre o conflito Israel-Palestina. A sua história: Khaled e Said, amigos de infância na cidade de Nablus, são recrutados para um ataque suicida em Tel Aviv. A missão é interrompida pelos guardas de fronteira na entrada de Israel e eles se separam. O filme enfatiza o grande contraste entre a pobreza da Palestina e a abundância, em Israel.

Gaza******, de 2018, é um documentário dirigido pelos cineastas irlandeses Garry Keane e Andrew McConnell. Estreou no Festival de Cinema de Sundance e traz o olhar dos europeus. Trata-se do retrato de cidadãos comuns de Gaza, vivendo suas rotinas cotidianas para além das cenas de violência.Morte em Gaza (Death in Gaza) é um filme mais recente, de 2004, e cobre a questão Palestina em três territórios: Cisjordânia, Gaza e Rafah a partir da história de três crianças: Ahmed, Najla e Mohammed, entre 12 e 16 anos. Durante as filmagens, o diretor de Gaza, o britânico James Miller, foi assassinado por um soldado israelense.

Nascido em Gaza (Born in Gaza)*******, de Hernán Zin, é um belo e dos mais conhecidos documentários sobre o assunto. É parte da coleção Histórias Palestinas (Palestinian stories) e conta a vida da população não apenas na Faixa de Gaza, mas também na Cisjordânia sob ocupação israelense desde 1967, e a luta para constituição de um estado independente.

A maioria desses filmes recebeu prêmios em festivais internacionais. Um deles é o filme de ficção Pomegranates and Myrrh (Romãs e Mirra), de 2008, dirigido pela palestina Najwa Najjar.

Mais uma produção nesse recorte de roteiro básico: o drama A 200 Metros******** (200 Meters), indicado pela Jordânia, onde foi produzido. Foi indicado para uma vaga na categoria de filme internacional do Oscar 2021. O filme acompanha a jornada de um pai que mora a 200 metros de distância da família, cada qual em aldeias separadas pelo muro que divide Israel e Palestina. Quando o filho é internado, ele procura passar para o outro lado para chegar ao hospital e assistir o menino doente.

Escrevendo esse itinerário cinematográfico, relembramos que no passado, trabalhando como roteirista de televisão, nós escrevemos e editamos, por encomenda do diretor de programa carioca de TV, de cultura e entretenimento e muito popular na época, uma matéria com fotos, entrevistas e pequenos e raros documentários de época salientando a efervescência cinematográfica habitual, anterior a 1948, nas cidades da Palestina. Seus habitantes eram famosos em todo o oriente pelo interesse que nutriam por filmes produzidos em outros países e exibidos por lá e também pela profusão daqueles que eles mesmos se dedicavam, com amor, a fazer na sua terra. Uma tristeza.

*A Chave na Filmicca.

** Al Nakba no Youtube

*** Budrus

**** Farha na Netflix

***** O Paraíso é Agora na Amazon Prime

****** Nascido em Gaza na Netflix

******* A 200 Metros no Youtube, Netflix, Amazon Prime

Tagged: , , , , , , , ,

Leave comment